terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

É o certo usar um título?

Nascemos sozinhos; morremos sozinhos. Cometi o erro em escrever aqui várias vezes nesses oito anos de existência do blog - e em sei lá quantos de vida - de que fazer o certo é sempre necessário. Fui ainda enfático de que não há recompensa, tampouco reconhecimento, mas ainda assim é necessário. Há a lenda de que o espírito fica em paz, a consciência leve e o coração puro. Bullshit. O certo sempre é o que mais dói, o certo sempre magoa as pessoas (inclusive nós mesmos), o certo é sempre o caminho mais tortuoso, mais difícil. No final das contas, nunca vale à pena. Me indaguei por horas e não consegui chegar num porquê de acreditar nisso, ou pior: de espalhar que fazer o certo é a melhor opção.
Mate a poesia que há dentro de você, destrua qualquer resquício de amor, faça o que é certo pra você e por você. Que morram os outros e que sejam enterrados com seus próprios princípios. Nasça sozinho, morra sozinho, que seja, desde que viva sozinho também. Poupe-se. Lembre-se sempre disso, filho.

Cya.

Deixa, ou me deixa.

No meu peito, escuro
faço da tua luz meu lar
E no teu, vazio
me deixa entrar

Nesses teus olhos, gigantes
minha ressaca, meu mar
Sê meu oceano
me deixa nadar

Perdi meu rumo
sem lugar pra voltar
Me dá teu colo
me deixa morar

Não tenho resposta
não ouso perguntar
Se ainda há ferida
me deixa curar

Não sejas tu meu algoz
só se a dor ceifar
Minha alma pede pela tua
me deixa descansar

Exclamo eu, ao mundo
pra essa tempestade acalmar
Sê minha, só minha
me deixa te amar.

Cya.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Youth.

"Sombras se acomodam no lugar que você deixou
Nossas mentes estão aflitas pelo vazio
Destrua o meio, é um desperdício de tempo
Do início perfeito, para a linha de chegada

E se você ainda está respirando, você é um dos sortudos
Porque a maioria de nós está arfando através de pulmões corrompidos
Incendiando nossos interiores por diversão
Coletando nomes dos amores que deram errado
Os amores que deram errado

Nós somos os imprudentes
Nós somos a juventude selvagem
Perseguindo visões dos nossos futuros
Um dia nós vamos revelar a verdade
Que aquele irá morrer antes de chegar lá

E se você ainda estiver sangrando, você é um dos sortudos
Porque a maioria dos nossos sentimentos, estão mortos e acabados
Nós estamos incendiando nossos interiores por diversão
Coletando imagens da inundação que destruiu nossa casa
Foi uma inundação que destruiu esta casa

E você que causou isso
E você que causou isso
E você que causou isso

Bem, eu perdi tudo, eu sou apenas uma silhueta
Um rosto sem vida que você logo esquecerá
Meus olhos estão marejados pelas palavras que você deixou
Ecoando na minha cabeça, quando você arrebentou meu peito
Ecoando na minha cabeça, quando você arrebentou meu peito

E se você está apaixonado, então você é sortudo
Porque a maioria de nós é amarga em relação a alguém
Incendiando nossos interiores por diversão
Para distrair os nossos corações para não ter saudade deles
Mas eu sentirei falta dele pra sempre

E você que causou isso
E você que causou isso
E você que causou isso." - Daughter.

Cya.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Nossa história, melhor que um best-seller.

Por muitas vezes eu esquecia o quanto Gail era linda. Eu me surpreendia e sentia um choque a cada vez que a encontrava depois de alguns dias sem vê-la, nem minha lembrança ou minha imaginação conseguiam conceber que ela fosse tão encantadora. De longe, sentada sozinha na mesa do shopping, parecia uma flor no deserto de tão contrastante que era o brilho dela em relação aos meros mortais aglomerados a sua volta. Me aproximei e beijei-a no rosto, deixando que me preenchesse o perfume doce.
Uma das sensações mais gostosas da noite era ouvi-la esbravejando comigo porque eu brincava com a comida ou eu não ouvia direito o que ela dizia. Em minha defesa, a maneira com que os lábios dela dançavam e os olhos me fitavam me tiravam do planeta e me impediam de ouvir as palavras, por mais suave que sua voz fosse.
No cinema, eu desaprendia a respirar em cada toque das suas bochechas se encaixando no meu ombro, cada vez que sua mão percorria minha perna buscando encontrar minha mão depositada no joelho, enlaçando nossos dedos. Em cada vez que chegava ao meu ouvido pra sussurrar algo baixinho sobre a história e suavemente se virava pra ouvir minha resposta, cada vez que seus olhos de ressaca me tragavam pra dentro da sua alma e eu era sequestrado pela vontade de tocar seus lábios e ouvir sua respiração quente beijar meu rosto de volta.
Andar de mãos dadas e observá-la sorrir a cada tentativa minha de provocá-la, tentando adivinhar se, ao caminhar, nossas almas acompanhariam o sentido em que nossos corpos seguiam, fazendo com que elas se misturassem em nós como os nossos dedos faziam no lençol da cama que foi testemunha tantas vezes do quanto nossa sintonia era de um só, fazendo com que qualquer conto parecesse algo desinteressante perto das nossas infinitas histórias de amor.
Não era um sacrifício escutá-la contar sobre seu dia, sua vida, tampouco aceitar o filme que ela escolhesse ou seu bico ao discordar das bobagens que eu dizia. O que doía mesmo era ter que ir embora no fim da noite e deixar um pedaço de mim pra trás nas mãos dela, só esperando que ela o guardasse bem, até a próxima vez que a vida me permitisse reencontrá-la e me lembrar, mesmo que de leve, o quão bom é ter a vida roubada por um motivo que valesse à pena.

Cya.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Tirar a dor com a mão.

Duncan não gostava de cigarros porque o cheiro o incomodava; não bebia whisky porque não conseguia apreciar o sabor. Acabou por tentar aquecer o peito com a fumaça, tentar disfarçar o gosto amargo da garganta com o álcool. Os casais na rua o incomodavam, as músicas de amor o entediavam e os filmes de romance o enauseavam; suas preferências viraram do avesso. Sempre gostou de tudo preto e, por ironia, a ausência de cor tomou conta por completo do seu mundo. Isso o entristecia. O que havia de melhor não era bom o bastante. Seu melhor não era bom o bastante. Não existia mais saudade, era nostalgia - no seu sentido mais literal. Algo que não estava mais ali e que doía. E como doía. Como pode? Era claro, mas não dava pra entender. A culpa que ele assumia, as fotos que ele rasgava, as lágrimas que rolavam do rosto tanto quanto ele mesmo rolava pela cama que ficara mais larga. Os meses se passaram mais rápido do que as extensas horas de insônia, mesmo que aqueles meses tivessem sido uma vida pra Duncan. Vida curta que passou por outros abraços, tão melhores que os dela, mas não eram os braços dela. E o que ele podia fazer? Qualquer coisa que talvez ela podia ter feito também, se doesse nela tanto quanto. "Gail"! Cada pronúncia era uma ofensa, era um amargo a mais que se acumulava, um a mais que o whisky insistia em tentar remover. Disfarçar. Embora o gelo não fosse tão frio quanto o vazio. Vazio na vida que perdia o sentido porque se acostumara a viver por outra causa que não fosse a sua. Causa perdida, que alguém um dia gravou e jurou amar. Ele, perdido, que alguém um dia jurou amar.

Cya.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Babaca, ataca quem luta por ti.

"Se o diabo amassa o pão, você morre ou você come?
Eu não morri e nem comi, eu fiz amizade com a fome!" - Projota.

Cya.