sábado, 21 de abril de 2018

Sobre o blog.

Ocasionalmente eu costumo comentar e ponderar aqui algumas coisas sobre o blog em si, sobre o lance de escrever, sobre a maneira com que eu pontuo minhas idéias, os planos futuros pro mesmo etc., e hoje farei tudo isso, mas com alguns pontos adicionais óbvios - e essenciais.

Como repito exaustivamente, ou talvez nem tanto, o blog sempre foi meu diário não particular e "não público", onde eu coloco as reflexões, as músicas, poemas, textos, crônicas e tantas coisas mais, desde as que eu mesmo escrevo - como os fragmentos do livro no qual tô trabalhando quanto dos poemas - e, principalmente, as magníficas ideias que empresto de todos que admiro (com as devidas referências, se não o faço, é porque não tenho mesmo). Algumas das características singulares, pra atribuir de certa forma a minha identidade da maneira mais sincera possível, foi criar meus títulos padrão, como as "Verdades Incontestáveis", o domínio e o título do blog, os "cya" no final de todo texto e acima de tudo as minhas próprias regras pra fugir dos cabrestos acadêmicos e das regularidades textuais, mesmo que não completamente.

Mas hoje, essencialmente, são duas as correções obrigatórias que preciso fazer aqui. Primeiramente, gostaria de expressar meu sentimento de gratidão. Não aquela gratidão "good vibes" que as pessoas compartilham nas frases prontas pro Facebook ou nas legendas do Instagram. Honestamente, eu nunca entendi muito bem o conceito do que eles tomam ou expressam por gratidão. Entretanto, o meu é muito específico.
Como as pessoas com que já conversei sobre sabem, o blog é um espaço onde praticamente só entra quem vê o link na bio de alguma rede social minha ou, o mais importante, aqueles que convido pra passarem por aqui. E ultimamente, sempre que posso, compartilho os fragmentos do livro com as pessoas que sei que podem dar algum feedback legal sobre o que escrevi - seja ele positivo ou negativo, qualquer crítica construtiva é bem vinda.
O que eu não esperava, de inicio, era o apoio, o incentivo e os elogios que recebo dessas pessoas queridas. Nada é mais gratificante do que receber reconhecimento pelas coisas que fazemos, seja o que for. Como músico, por exemplo, os aplausos no fim do rolê, ou aquele "cara, que show foda!" quando descemos do palco, é algo que nos enche de alegria. Com os textos não poderia ser diferente, e eu queria deixar aqui registrado o meu MUITO OBRIGADO, mesmo sempre agradecendo prontamente e diretamente à essas pessoas, acho essa formalidade necessária pra reconhecer o quanto esse suporte é motivador pra que eu continue.

Aproveitando o gancho pra apontar o segundo ponto (há!), eu queria muito mesmo estabelecer um contato mais legal com a galera que passa por aqui e criar uma ponte pra receber um feedback direto, não só nos bate-papos da vida, mas aqui pelos comentários do blog mesmo. São quase 450 postagens em 10 anos, e eu tenho muitos acessos, algo nem perto do que deveria ser contanto só os acessos das pessoas pra quem eu mando os textos ou aquelas que dizem ter dado uma passadinha pra ver se tinha alguma baboseira nova, e as pessoas nunca comentam NADA por aqui. Bora mudar isso? Pode usar essa publicação e os comentários ali em baixo. Se der uma passada por aqui, diz pra mim o que cê acha do blog. Pode elogiar, dar dicas, sugestões, críticas, pode me mandar tomar no cu, dizer alguma verdade que nunca teve coragem de dizer na cara (só seja gentil, tenho a auto-estima mais baixa que suspensão de saveiro de funkeiro e uma tendência altamente destrutiva e suicida), comente o que você gostaria de ver por aqui talvez, deixe sua mensagem de apoio, de incentivo, diga o que quiser, desde que diga algo. Use esse espacinho aqui em baixo, quero criar essa ponte de contato com vocês, mesmo que seja meia duzia.

Do pouco que tenho que eu tenho pra dividir em idéias, sempre tento doar tudo. Essa troca é muito importante pra mim. E mais uma vez, obrigado!

Cya, com coraçãozinho!

sábado, 14 de abril de 2018

Dois corpos, um só.

DISCLAIMER: O texto abaixo não é recomendado para pessoas menores de idade, tímidas, cheias de pudores e tabus em relação à sexo, ou todos aqueles que irão me olhar com vergonha e/ou reprovação. Somos todos adultos e hajamos apropriadamente em relação à tal condição. Beijos do tio Dante. (Não é nada de mais, mas preciso avisar. Vai que... Né?!)



Gail sairia mais cedo da redação naquela sexta e iria direto pra casa esperar por mim, tinha prometido a ela preparar um jantar especial pra nós dois. Abri a porta, soltei as chaves na mesa e dei meu tradicional cumprimento à Cleo - um "cheirinho" e um ligeiro abraço - que se esticava, indiferente e graciosa à minha chegada, ao mesmo tempo, na poltrona bege da sala. Caminhei até o quarto e encontrei roupas femininas jogadas em cima da minha cama e um sutiã enroscado sutilmente na porta do banheiro entreaberta. A pista era clara, mas ela ainda não tinha notado minha presença. Entrei vagarosamente e fiquei observando-a através do box de vidro transparente, ofuscando parcialmente minha visão pelo embaçamento causado pelo vapor.
Seu corpo era maravilhoso, parecia esculpido em cera, talvez em um gesso fino. Artes esculturais estavam fora das minhas habilidades pra definir o que aquilo pareceria. As moças que faziam tutoriais de "corpos para o verão" para a internet chorariam copiosamente se por acaso descobrissem meus pensamentos em relação ao corpo delas comparados ao de Gail.
Os pés, as panturrilhas, as coxas, o bumbum, o desenho das suas costas, seus seios fartos, seu pescoço sedutor e sua barriga "fora dos padrões 'chapados' das revistas" eram um completo deleite aos meus pensamentos mais luxuriosos e indecentes. Suas curvas eram acentuadas e agudas na medida correta, a sua pele macia era um convite ao meu corpo e à minha boca - principalmente. Eu adorava passar meu tempo beijando seu corpo e brincando com o contato que minha língua tinha com sua pele e a reação que a minha própria namorada tinha: os arrepios, as risadas tímidas, e até os bicos enquanto eu elogiava até suas estrias e celulites. Em minha defesa e de todos os homens sensatos, elas são a parte mais perfeita das imperfeições de uma mulher - "imperfeições", que fique claro, pelo ponto de vista delas. Eu achava maravilhoso, afinal era aquilo que diferenciava ela dum manequim, por exemplo. Eram as marcas que comprovavam que ela era uma mulher de verdade, perfeita para um tolo apaixonado que abraçava a retórica do que era estar apaixonado por alguém.
Lancei uma leve pigarreada sarcástica para anunciar minha presença e me armei de maneira sutil com as covinhas que me foram presenteadas pelos genes positivos de meus pais e que ela tanto gostava. Ela se inclinou contra o box e, de uma maneira angelicalmente demoníaca apenas assentiu com o dedo indicador, me chamando para se juntar à ela. Nem de longe eu era uma pessoa tímida, muito menos seria na frente da pessoa com que há anos dividia a vida comigo, mas ao vê-la assistindo meu ato de remover as roupas me deixou, de certa forma, sem graça. Acabei por perceber que quanto mais eu enrolava, mas ela se divertia. Ela se fixou em cada botão aberto, no nó afrouxado da gravata e na braguilha da minha calça abrindo.
Abri a porta do box de maneira escancarada e observei seu corpo todo ensaboado, com o branco da espuma flertando com a palidez do seu corpo. Ela virara de costas, de propósito, num misto de provocação e inocência, indicando pra que eu a esfregasse as costas. Massageei-a com a esponja de maneira delicada, aproveitando aquele momento tanto quanto ela. Passei uma das mãos pela sua cintura e a puxei para baixo da água, para mais perto de mim. Senti um suspiro e, para acompanhar sua reação, beijei-a no pescoço. Senti sua mão direita procurando a minha que se depositava na sua barriga. Num ato quase que de reflexo, abracei-a, enquanto respondendo à minha ação, ela agarrou minha mão e a trouxe mais perto da virilha, dando uma indicação mais do que clara do que ela queria. Abracei-a mais forte e desci minha mão ao encontro do que ela queria, sentindo instantaneamente um gemido enquanto comecei a masturbá-la. A água quente do chuveiro parecia fria em relação aos nossos corpos naquele momento. Sua mão esquerda, ainda livre, deslizou com certa habilidade, para quem estava de costas, pelo meu abdômem até encontrar tarefa parecida com a que eu estava executando. A minha, no entanto, percorreu o sentido contrário agarrando com firmeza e carinho seu seio. Naquele momento, o tesão já se apossava dos nossos corpos. O desejo que eu tinha por aquela mulher era algo que dificilmente os pesquisadores da área conseguiriam encontrar em outro casal e, aparentemente, abusando da arrogância, era recíproco.
Ela se virou com um movimento rápido e laçou seus braços pelo meu pescoço, enquanto a agarrei pela cintura e apertei contra mim. Ela me beijou como poucas vezes havia feito, como se sua vontade fosse sugar minha essência para dentro de si, apaixonadamente. Retribuí, apertando mais ainda seu corpo contra o meu. Abri a porta do box e a conduzi pelo braço. Ainda molhados e entorpecidos pelo calor do momento, joguei-a na cama assim que saímos do banheiro. Seu corpo esticado na cama, convidativo e oferecido ao meu prazer, faziam meus instintos borbulharem como a lava de um vulcão prestes a entrar em erupção. Meu auto-controle, por sorte, ainda estava sob minha lucidez. Comecei beijando seus pés e subi, devagar, pelas suas pernas, sua virilha, sua barriga, por entre os seios até encontrar seu pescoço. Cada toque dos meus lábios contra sua pele soava como um choque, que era não só ouvido mas também sentido, tanto pelo corpo dela quanto o meu. Mas nesse momento, seu corpo nada mais era do que uma presa fácil para a minha posição predatória, por cima, enquanto nossos olhos formavam uma linha fulminante que colocaria fogo em qualquer superfície inflamável que estivesse por perto caso se perdessem no encontro. Passei a beijá-la e desci, de novo, pelo seu corpo, agora encontrando cada detalhe, tantos dos seus seios quanto onde eu sabia que iria fazê-la perder a cabeça. Enquanto eu a chupava, conseguia observar seus dedos lutando contra os lençóis e sua boca se contorcer ao mesmo ritmo que seus olhos se fechavam e sua respiração ficava cada vez mais irregular, entregando sem pudor que se deliciava com os movimentos que minha língua fazia. Eu ainda não consigo conceber se era a paixão ou o tesão que faziam com que eu gostasse até do sabor dela. Eu sentira suas pernas tremerem e seus gemidos cada vez mais altos a denunciavam, ela havia montado os cavalos brancos.
Seus olhos tomaram vida de novo, como se sua alma tivesse abandonado e voltado ao corpo naqueles últimos segundos, até que ela resolveu avançar em minha direção como um felino, me jogando de costas contra a cama e trocando nossas posições. Suas mãos sobre meu peito e sua boca delineadamente sensual formavam uma imagem perfeita, sedutora e atiçadora, mas que eu poderia encarar e resistir, ainda. Depois de colar seu rosto contra o meu, seus lábios procuraram minha orelha e desceram pelo meu pescoço, passeando pelo meu peito, minha barriga, até encontrar o que ela buscava. Sua boca me abocanhara como se fosse algo suculento, fazendo com que meu cérebro produzisse certos espasmos que eu não sabia decifrar, fazendo com que suas unhas em minhas pernas e os barulhos de saliva e sucção fossem as poucas coisas que mantinham minha lucidez, ainda que por um fio, longe da loucura. Depois de alguns minutos tão longos quanto horas, seu corpo escalou o meu, seus braços agarraram minha nuca e meu braço. Dali pra frente, nossos corpos se tornaram um só e o eu-lírico perdeu por completo sua lucidez pra conseguir descrever o que ali se sucederia a seguir. O que posso garantir é que havia suor, suspiros, gemidos, arranhões... Nossa sintonia na cama era absurda, irreal.

Ela dormiu no calor dos meus braços, ainda marcados pelo amor que acabáramos de fazer. Sua cabeça contra meu peito, nossos corpos ainda nus, enlaçados. Eu fazia carinho em seus cabelos e a assistia dormir, como um anjo que recentemente havia abandonado os pecados da carne mortal e voltara ao seu estado celestial. Eu poderia observá-la dormindo por horas, dias, séculos, se me fosse possível. Nem os maiores poetas descreveriam o amor que eu sentia por aquela moça com palavras, termos e expressões mais apropriados do que os que eu tinha em mente. Eles não se formavam em simples conjugações e junções de letras, não. Eu sentia, aquilo era o maior amor do mundo, sem dúvida alguma.

Cya.

Socos. Minha costela.

Gail era apaixonada por cachorros. Quando passávamos o final de semana em casa, costumávamos acordar cedo no domingo pra ir até o Central Park em minha moto para aproveitar a manhã, geralmente não fazendo nada. Eu não fazia nada, para falar a verdade. Minha única missão era ser um observador poetizando sobre a beleza dela enquanto ela caminhava na grama, enquanto o sol refletia o brilho da sua pele palidamente linda, enquanto ela sorria assistindo as crianças brincarem com seus cachorros pelo parque, enquanto ela simplesmente era ela, sentada, observando o céu, "sendo linda", como eu costumava dizer. Enquanto ela olhava pra mim e sorria, como se aquilo fosse uma obra de um deus que eu refutava a existência, mas que poderia ser o único capaz de produzir um sorriso hipnotizante e maravilhoso, algo que parecia ter sido feito especialmente para mim, algo que eu admirava com estranheza de tanta perfeição que se revelava, de tanta harmonia e paz que meu coração se enchia ao observar cada curva dos seus lábios se abrindo e revelando seus dentes cor-de-marfim.

Hoje acordei cedo, troquei de roupa, tomei meu religioso café, desci até o estacionamento e liguei a moto. Eu partiria para o parque pela primeira vez sem ela. Eu não tinha mais que firmar os pés para ela subir na garupa. Eu não sentia mais seus dedos enfiados nos bolsos da minha jaqueta buscando abrigo do frio. Eu não sentia mais seus braços enlaçando a minha barriga, nem sua respiração quente beijando minha nuca. Eu não sentia mais nada, só um vazio.
Eu cheguei até o Central Park e observei as crianças, os casais, os cachorros, os freesbies voando, as bicicletas, as cestas de piquenique, eu via vida em tudo que vinha de fora. Eu não via nada que se conectasse comigo. Eu não via nada ao meu lado. Eu não via nada dentro de mim, só sentia. Sentia como se o som dos pássaros, das crianças rindo e das pessoas conversando fossem zumbidos irritantes, como se a felicidade alheia dessas pessoas fosse uma ofensa à minha amargura sórdida e podre, quase que pestilenta ao meu coração e ao sentido da minha existência. Como se tudo tivesse perdido o sentido por fazer tanta falta aquele pedaço de mim. Como se eu estivesse nu, não de roupas, mas de sentido para estar ali.
Eu insistia em frequentar os lugares que eu costumava ir com ela como um ritual pra tentar achar que minha companhia era o suficiente, em pensar que eu podia existir sem ela. Não, não existia mais Duncan sem Gail. Eu abri meu peito, arranquei meu coração violentamente e depositei no peito dela. Eu achava que detinha seu coração e a chave do meu próprio peito. Nenhum coração entra mais nesse peito que arde, nesse peito morto-vivo. Morto por não sentir, vivo por doer. Esse dilema me era estranho enquanto doía, me era familiar enquanto vazio. Mas acima de tudo, inóspito. E o meu coração? Provavelmente estaria jogado em alguma viela suja perto do Brooklyn, longe demais pra ser achado, sujo demais pra ser reconhecido.

São quase seis meses sem ela. Me machuca tanto quanto no primeiro dia, me sangra ao ver que ela conseguia fugir disso e eu não, que pra ela há vida, e pra mim solidão. Que eu estava preso à mim mesmo e à lembrança dela, e ao pedaço que faltava em mim. A solidão que por tanto tempo foi minha opção, hoje em dia era minha sina, minha alucinadora prisão. Ela amava cachorros, mas o calor que eu tinha era de saber que a Cleo estaria em minha cama e ronronaria ao sentir meu corpo inerte se jogando contra o colchão e encontraria aconchego, assim que abandonasse o cobertor e caminhasse em direção a mim. Ela já estava enjoada e enojada de me ver chorar, provavelmente. Já eu, não.

Cya.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Domingo.

"E eu deixei todos os meus cigarros na tua casa
O teu descaso me deixou tão só
Talvez eu ache algo mais forte,
que faça eu me sentir melhor." - Esteban.

Cya.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Só do que eu sei falar.

Amor próprio é só uma desculpa
uma falácia decorada
Até que se ache um peito
pro teu coração fazer de morada.

É sentimento que vive gritando
mas que de fato nasce mudo
Uma simples troca onde
do pouco que tenhas, darás tudo.

A cada maltrato que recebe
fica este arredio
Porque mal sabes, ó pobre coração
que continuará caindo nessa garra vil

Enquanto permanecer imune
que sofras tu pela ardilosa opção
Porque tu ainda serás tolo
sábio ou insensível não passa de uma efêmera condição.

Cya.